sexta-feira, 1 de julho de 2011

Pistilo



Uma pergunta um tanto primária: O que é contemporâneo? Primária e anterior à obra. E na medida em que essa palavra é empregada a uma coisa-obra ela passa a ressoar de um modo diferente. O que é contemporâneo? Uma resposta é imediata para esta pergunta é o Contemporâneo enquanto adjetivo.

Se formos um pouco além do imediato? Se olharmos o Contemporâneo pela etimologia da palavra. Com= junto; temporário = tempo. Junto ao seu tempo. Daí as coisas mudam um pouco. Contemporâneo é aquilo que está conectado ao seu tempo. E se nos perguntamos como é estar próximo do nosso tempo? Como falar com o nosso tempo? E quando falamos com quem nos comunicamos?

Agora sugiro um desvio. Vamos desviar nosso olhar para um espetáculo de dança. Dança contemporânea: Pistilo. O espetáculo esteve em cartas durante o mês de junho em dois espaços bem diferentes. O primeiro foi na galeria olido, o segundo na casa das rosas. Dois espaços totalmente bem diferentes. O espetáculo tinha como proposta estética a fronteira entre dança e artes plásticas e como tema o “homoerotismo” Eu diria que vai que vai muito além de um espetáculo com a temática “homoerótica”. Pistilo é um projeto transdisciplinar. É um projeto por que a encenação é um desdobramento de algo com dimensões investigativas que vai além das possibilidades poéticas. Transdisciplinar por que passa entre, além e através das disciplinas, numa busca de compreensão da complexidade do tema do projeto, que é o Homoerotismo.

Sugiro desviar novamente e retornar para a discussão sobre o contemporâneo. Agora nos detendo um pouco mais na idéia de tempo. E agora sem uma investigação no conceito, mas na experiência do tempo. Abordar a idéia de “tempo” pela experiência e não pela possibilidade de atribuir um conceito às vezes torna a investigação mais interessante que meramente tentar organizar e atribuir um significado. Além disso, o tempo esta atrelado a experiência, ou não?

A experiência do tempo na modernidade é a do tempo linear, progressivo, cumulativo. Do tempo que passa pelo passado, presente desembocando no futuro. Mas essa experiência temporal que assim dita pode parecer inflexível, na experiência é muito mais porosa e flexível. Tanto que há bem pouco tempo, uma galera percebeu que a idéia de um tempo inflexível não cabe mais para falar sobre o nosso tempo. O tempo, com os pos modernos deixou de ser o tempo linear, progressivo e cumulativo e passou a ser uma infinidade de tempos que se atravessam, desde então se entende o tempo como Multitemporal. E o espaço também mudou, Pq tempo e espaço existem rigorosamente juntos. Por fim, a narrativa também ganhou outras possibilidades. Fragmentação, disjunção... É uma das possibilidades. E a subjetividade também ganhou outras cores, formas, nuances... Daí, você pensar que ao articular isso tudo necessita de outra postura do espectador é um passo.

Se estiver junto ao seu tempo configura-se em articular esses procedimentos cenicamente, então Pistilo é rigorosamente um espetáculo contemporâneo.

O espetáculo agencia uma série de informações simbólicas a avenida paulista, quanto a temática, quanto com quem o espetáculo comunica. Essas coisas todas criam um lugar aberto, mais que a comunicação, a troca de informações, cria um terreno fértil de reconhecimento que eu quase não vejo na dança. A uma relação direta entre bailarinos e pessoas que assistem. Um terreno fértil de e para discussões sobre desejo que é ao mesmo tempo vigoroso e delicado. Os corpos dançam e suas danças nem sempre é cadente, linear, sutil. É brusco e quase sempre está no limite com a violência. Penso no Freud. Pq será que a gente sempre pensamos no Freud nessas horas?

Se bem que a ocupação da casa das rosas, nem foi tão incrível assim! Varias vezes tive a impressão que a ocupação ali era muito pobre, rasa, que eles tiveram poucos ensaios ali, mas eu fui no ultimo dia da apresentação.

Será que nos outros dois dias o bailarino caiu em cima do publico? Será que nos outros dias o publico foi largado de pé por 50 minutos? Será que eles não pensaram em nenhum momento que ao não determinar o lugar do publico este poderia ir pra qualquer lugar? E atrapalhar passagem, ficar na frente do projetor sentar no chão? Será?

Mais informação sobre o projeto e futuras apresentação acompanhe no blog: http://pistilodanca.wordpress.com/

terça-feira, 14 de junho de 2011

A última manga do mundo



  O epetáculo é um experimento realizado colaborativamente à partir do conto "Morangos mofados" de Caio Fernando Abreu.
  O espaço cênico é um subsolo: meia luz, pista de dança, vinis, música dos anos 70, balcão de bebidas, atmosfera de submundo-inferninho, pessoas com roupas coloridas dançam. Um hare krishna-hippie-de-testa-pintada-dreads-nos-cabelos-vestido-e-salto-alto é dos poucos que não dança; vagueia observando tudo com incenso na mão. Alguém avisa que a cerveja custa dois reais e que é permitido cheirar e fumar. Outro alguém avisa que a festa é do Cris. Outro alguém passa e apresenta o dono da festa, o tal Cris, que presenteia o público com uma garrafa inteira de champanhe.
 Não sei nada sobre o espetáculo. Por acaso no dia anterior terminei de ler um livro de contos de um cara que gosto muito: Caio Fernando Abreu. Não demoro muito pra relacionar o que estou vivenciando com o universo do autor.
 A festa parece durar uns 40 min e é interrompida por um grito de Cris. Os outros atores vão socorrê-lo e param a festa. Talvez seja o começo de uma overdose, ou só uma crise existencial. Desligam a música. De repente todos eles estão deitados, jogados no sofá e no chão, como numa ressaca coletiva. Na cena seguinte nos sentamos de frente para um pequeno palco, onde três atrizes fazem um show de estriptse, enquanto atores nus na platéia simulam masturbação.
  Somos sutilmente conduzidos pelo espaço, acompanhando, vivenciando e percorrendo uma dramaturgia que não possui linearidade e é carregada de imagens poéticas, contruídas com a forte energia dos atores. Não existe drama, personagem. A própria palavra talvez pudesse ser abolida, mas funciona aqui e ali para nos "localizar", apresentar o contexto sócio-político que não está explícito, por exemplo. Mas sem dúvida, as imagens assumem força maior que a palavra. Assim como, para o grupo, as sensações causadas no público parecem interessar muito mais que a compreensão racional.

Terças e Quartas, no Teatro Coletivo


Rua Consolação, 1623 - Consolação
São Paulo, 01301-000
(0xx)11 3255-5922

Até 29/06
Mais informações: http://bandootextoperdeuse.blogspot.com/search/label/A%20%C3%9Altima%20Manga%20do%20Mundo

domingo, 12 de junho de 2011

Instrução para compor uma peça.



Sala de um apartamento no centro de são Paulo. Duas mulheres fazem ações cotidianas de forma não cotidiana. Chove. Um ator antes de entrar na casa situa o espectador no tempo e no espaço e fala dos planos de criar um manual de instruções para a vida.

O nome da peça sugere um exercício metalingüístico que, de certa forma, se concretiza seja na interpretação distanciada ou na narrativa quebrada que abre espaço para os atores se tratarem pelos seus nomes, e conversar com o publico ou quando o Willian Simplício se pergunta se é um bom ator. Ou quando a interpretação fica mais emocionada é geralmente num tom de deboche ou até quando os atores falam suas narrativas pessoais é nesse mesmo tom de deboche.

A peça tem uma estrutura simples, um prólogo e três atos. Narrativa linear mesmo com o distanciamento, a quebra da narrativa, o depoimento pessoal e o comentário irônico dos atores quando vão para um lugar mais emocionado e pessoal. Isso para falar da relação do individuo na esfera privada e na esfera pública de uma grande cidade. Mas sim, a tentativa de responder uma pergunta usando um manual de instrução para se viver.

Os dois primeiros atos o ator-narrador se Poe num lugar distanciado, por isso as quebras, os distanciamentos, os comentários e os depoimentos pessoais. No terceiro ato dedicado a morte acontece algo interessante. A impossibilidade de fornecer instruções pra morrer gera uma reflexão meio romântica da morte como um instante de revisão da sua vida e de possibilidade de fazer o que você realmente tem vontade de fazer, assim escapando das rotinas malucas e mecânicas das grandes cidades. Diante do problema de não conseguir falar sobre a morte de modo objetivo a ideia de um manual de instrução perde sua função. O tom distanciado, superior com momentos de quebras pra falar diretamente com o publico se perde e ai a peça se torna mais complexa e muito mais interessante.

E o final é aberto meio como uma critica a idéia pretensiosa ,de três jovens atores, de criar um manual de instrução pra se viver e morrer.

Ps: Mais informações sobre a peça você encontrará no blog do coletivo: http://coletivocronopio.blogspot.com/

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Pronto pra mudar


Teatro nunca termina quando acaba. O que acaba é o espetáculo o evento. Tem que fechar apagar a luz tem que ir pra casa e tal. Isso acaba, mas se terminar ai o efeito foi eventual. O que a gente busca não é o evento é a transformação social que a gente tem o dever de patrocinar. Teatro é movimento é praxistron não teatron não é lugar pra se ver é lugar pra se agir (...). Augusto Boal

Pronto pra mudar?

Há duas semanas, talvez mais. Com certeza mais de duas semanas separam o dia que assisti ao espetáculo até hoje quando decido registrar essa experiência.

O espetáculo é resultado de um esforço coletivo. Esforço coletivo que espelha um fazer teatral, Tanto na forma quanto no conteúdo. Um teatro que começa com um encontro e do encontro surge à vontade de investigar um tema que transborda numa investigação de interpretação e na criação dramatúrgica. E quando todo esse esforço coletivo na buscar por contar uma história resulta num amontoado de imagens e cenas desconexas a direção intervêm nesse material dando forma a esse discurso cênico.

Porém no momento em que o publico chega o processo acaba e o que se presentifica é uma troca com o espectador. O lugar do publico em pronto pra mudar é radical. Radical porque é esse lugar que o Boal fala, lugar onde a ação e a reflexão estão rigorosamente conectadas em um processo pra além do evento.

Havia uma mulher falando ao telefone. Na fila antes de entrar no teatro. Pouco tempo depois a mulher estava conversando com as pessoas na fila, falava do tempo, entregava cartões, anotava contato. Pela primeira vez naquela uma hora e meia de espetáculo a fronteira entre aquilo que convencionamos cena e aquilo que chamamos de real se perturbava. Quando o espetáculo começou eu estava diante de mais uma peça colaborativa-partindo-de-um-texto clássico.

Duas atrizes em cena revezavam a mesma personagem, manipulavam objetos, corpos em explosão de imagens. Eu pensava pecinha-colaborativa-partindo-de-um-texto- clássico até que de novo o limite entre cena e realidade é perturbado e dessa vez as coisas não voltam ao seu lugar. Um deslocamento é provocado, a atriz que conversou comigo na fila me convidou pra entrar no apartamento e me largou no palco. Ai não se estabelece só uma perturbação nos limites da cena as coisas se atravessam um apartamento habitado por uma mulher que cospe coelhos, uma corretora que quer alugar o apartamento e um público que até então estava no seu lugar protegido desloca para o palco e aos poucos vai virando personagem da loucura da mulher que cospe coelhinhos. Tudo aquilo se resignifica. Uma experiência potente e difícil de codificar se estabelece. Quando o espetáculo acaba algo pode ser reconhecido nas carinhas das pessoas que estavam no palco. Claro que o que aconteceu de um jeito diferente para cada pessoa, e em partes essa experiência pessoal pode ser comunicada e ate reconhecida no outro.

E uma pergunta fica ecoando: Quando você muda é pq tudo ao seu redor mudou e você teve que acompanhar essas mudanças? Ou você mudou e depois mudou tudo ao seu redor

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sombras da luz

Carta inacabada ao Ivo 60

Assisti o espetáculo de vocês na mostra de repertório do Ivo 60 no centro cultural são Paulo. Quase um ano depois de ter visto uma das intervenções no parque da luz que a Cia fazia como parte do processo de criação de Sombras da Luz


Ver o espetáculo pronto, depois de um ano foi interessante. Interessante como o espetáculo ressoa a experiência de vocês nas intervenções. O clown transformou-se em personagens tipos que habitam transitam em praça publicas: mendigos, migrantes nordestinos, transeuntes. Como as experiências, relatos e depoimentos dessas pessoas interferiram no processo. Sem perder o jogo e o carisma que é natural ao clown. Ao mesmo tempo ver o espetáculo pronto, me fez sentir um pouco carente do que eu vi na praça da luz: Um teatro que se estabelece na interferência: quebrando com a lógica rotineira da praça das pessoas que passam rápido, pastores pregando, casais namorando, piqueniques, guardas sempre atento para manter a ordem. Judeus, pessoas fazendo caminhadas ou correndo. Criando hiatos onde algo poético e potente pode ser construído e desconstruindo. Não que essas coisas não reverberem no espetáculo, pelo contrário! O publico continua se envolvendo, e não desistindo do jogo. Porém agora, isso não é mais espontâneo e arriscado é formalizado.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Prometheus Nostos



Pensamento mítico é uma “verdade” que não obedece à lógica empírica nem científica, portanto é uma verdade "intuitiva" que não necessita de provas, porque está muito mais ligado “magia”, ao desejo e ao querer que as coisas aconteçam de um determinado modo. O mito tranqüiliza o homem dentro do mundo natural e estabelece modelos de atividades humanas. No ocidente o pensamento mítico começou a ser substituído por uma forma de pensar baseada na “razão” ou uma forma de pensar que se estrutura a partir da hipótese, analise , experimentação além da dialética dual que dá sentido para o mundo ( dia X noite, claro X escuro, vidaX morte...)
É difícil "racionalmente" compreender a dimensão dessa forma de pensamento.
Pensando “racionalmente” quanto mais tentamos nos aproximar do mito mais ele nos escapa.
"Prometheus Nostos"E uma encenação que busca se apropriar desse universo mitológico e se transformar no contato com o público. Aliás, essa é uma das qualidades do espetáculo protótipo: O risco. O risco mora em se mostrar ao publico um material teatral que está inacabado e que se transforma na apropriação do material mitológico e no contato com espectador. Risco de mostrar um material frágil e sem potência. A forma que a cia escolheu para este processo foi:
Primeiro: Meia hora antes de o espetáculo começar onde o publico entra no espaço da cena, que ainda não esta pronta para a apresentação, durante 10 minutos os atores contam histórias se pararam para entrar em cena. A segunda forma: durante o espetáculo espaços são delimitados por cortinas, e o público é convidado a mudar de lugar. Talvez para mostrar que uma mesma narrativa pode ser vista de várias formas.Quebrando assim com a idéia de verdade de um acontecimento, sem comprometer a narrativa principal da peça, o mito de prometeu. Nesses espaços da narrativa acontecem uma polifonia de vozes criando um rumor de estórias , uma colcha de retalhos que não tem uma origem, mas sim vem de todos os lugares.
A fragilidade da encenação acontece na impossibilidade de se compreender uma narrativa sem se posicionar, sem que essa narrativa seja uma forma de compreender ou lidar com angustias do nosso tempo. Pq essa é a dimensão da narrativa mítica que conseguimos compreender, pois as outras dimensões escapam ao modo de pensar e se relacionar com o mundo que nos ocidentais criamos ao longo dos séculos. Se olharmos pro mito só como uma narrativa fantástica, ou algo místico a gente sem perceber acaba caindo num terreno de melodramas ou em um universo de valores cristãos como acontece na encenação. Afastando-nos assim da dimensão poderosa e potente de um mito.

Prometheus Nostos


  A idéia de espetáculo em  processo de criação constante parece ser precedida pelo interesse em um material sempre vivo e em transformação. A proposta da Cia Teatro Balagan é experimentar o "espetáculo protótipo" Prometheus Nostos  nas sedes de sete diferentes grupos de São Paulo. Nos dias 18 e 19/02/2011 estiveram no Sacolão das Artes, da Brava Cia.
 O espetáculo parte de diversos textos sobre o mito de Prometeu, construindo uma dramaturgia polifônica e não linear. O espaço vai sendo modificado por quatro cortinas, ficando o público muitas vezes dividido em dois e assistindo a cenas diferentes, sem prejuízo ao entendimento da narrativa. Somos avisados antes que temos a liberdade de transitar  entre as cenas, mas só as crianças (e eram muitas) se sentiram à vontade para isso. A musicalidade da peça se mostra frágil, pretensiosa. A presença de atores-narradores é potente, mas o ritmo estabelecido se mostra monótono e as mudanças no espaço não parecem necessárias.
  É inevitável formular algumas questões que vão, todas, na mesma direção: Até que ponto esse material apresentado afeta e é afetado pelo público? Até que ponto a Cia está disponível para isso? Existe troca real? De que forma isso se reflete no processo? Até que ponto será de fato esse um processo vivo? Apesar da escolha quanto ao espaço (e também das explicações da diretora no ínicio) sugerir uma relação mais próxima com o público, a qualidade dessa relação se mostrou não muito diferente do que seria se o espetáculo fosse encenado no palco italiano.

O próximo espaço a ser visitado pelo espetáculo é o do Grupo Pombas Urbanas, no mês de março.
http://www.ciateatrobalagan.com.br/site/flash/

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Quando não resta nada a dizer




1- Os nomes dos diretores (que também dá nome a Cia) são repetidos 12 vezes no programa do espetáculo.

2- A Barbara Heliodora traduziu os três textos curtos do Beckett (uma tradução arrojada, como diz o programa) Mas a peça quase não tem fala. O que a Barbara Heliodora traduziu? As ações? É possível. Qual a necessidade de uma tradução “arrojada” para ações?

3- “A montagem projeta em cena os desejos dos espectadores” Quais desejos? O tédio? É característica do Beckett os silêncios, as pausas longas, as ações fragmentadas, o jogo com as palavras. Mas, além disso, os diretores criaram longas repetições performáticas com água, baldes e homens usando ternos. Dilatando o tempo e provocando a sensação de “isso não vai acabar nunca?”
4- A montagem afirma a atualidade do Beckett. Que atualidade? Pensem comigo: Um texto atual pode ser aquele que mesmo com o passar dos anos dá a possibilidade de você criar sentidos, poéticas... Ou uma montagem “atual” é aquela que dialoga com questões, problemas e situações de certo lugar ou momento histórico. Tirando os objetos de cena super modernosos, e as performances (que são super clichê – Afinal quem nunca pegou um balde, encheu de água e usou como metáfora para um rio, um mar, uma banheira, ou para simbolizar suicídio , ehm?)

5- No programa a expressão: Respiração embolada. R E S P I R A Ç Ã OE M B O L A D A . Como é uma respiração embolada? Eu fiquei muito curioso para saber.
6- Li numa crítica que diz que uma das qualidades da peça é um tratamento levemente cômico do Beckett, além da beleza plástica . De fato essa é uma qualidade da montagem. Ah! Outra qualidade da montagem é a performance final usando baldes cheios de água, repente e batuques . Tudo sincronizado, e muito empolgante.

7- A dramaturgia da encenação são os três textos do Beckett costurados por performances criadas a partir de algumas palavras-chave na obra do Beckett como silêncio, respiração... As performances se propõem a um radicalismo didático e entediante. Jhon Cage em 1950 consegiu ir mais longe se propondo quase a mesma coisa que “ resta pouco a dizer”. Veja só:

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O meu drama não se realiza mais blá blá blá e mais além



Cada pessoa do público recebe uma chave num cordão vermelho (que serve de ingresso), ainda na frente do teatro Sacolão das artes no Parque Santo Antônio - sacolão hortifrutigranjeiro desativado que é sede da Brava Cia. Somos convidados por uma atriz com peruca loira [ figura exótica típica do teatro contemporâneo ] a dar uma volta pelo quarteirão: "Se tá comigo cola, mas bem juntinho - que isso aqui não é teatro de destaque, não quero destaque. Quem saiu de casa achando que ia sentar a bunda no teatro pra ver uma pecinha tá muito enganado". Paramos no portão do estacionamento de uma delegacia, a atriz pede ajuda do público pra colar um cartaz com uma frase de efeito que incita à revolução, uns policiais olham desconfiados. Outros cartazes são colados no trajeto.
Voltamos pro teatro, os três atores se acomodam num cenário apartamento-gaiola pós apocalipse - QG/Aparelho onde covardemente escondidos eles planejam impotentes a revolução. Tudo bastante metafórico. Eles se dirigem uns aos outros pelos seus nomes reais fora de cena: Marcelo, Mariana e Patrícia. Não chega a se formar um conflito, nem historinha, nem personagens. Os três estão ali organizando um discurso a eles comum de forma cênica e poética, usando seus depoimentos pessoais e os textos do Heiner Muller.
O título "QUEM NÃO SABE MAIS QUEM É, O QUE É E ONDE ESTÁ PRECISA SE MEXER" parece se referir a uma geração específica, em seu contexto socio-político de utopias, sua desilusão e acomodação posteriores; também a qualquer cidadão diante da dificuldade de se reconhecer como parte-agente integrada a determinada classe social; também como denúncia à alienação; também ao próprio drama teatral que não se realiza mais. E talvez seja um espetáculo importante na medida em que nos provoca a reflexão sobre a necessidade do novo, da investigação de novos lugares possíveis.

PS -
QUEM: Um senhor sentado na mesma fileira que eu
O QUE: estava bastante entediado durante o espetáculo, mas assistiu até o fim
ONDE ESTÁ: no parque Santo Antônio, ele é morador da região
PRECISA SE MEXER?: O fomento (entre outras iniciativas, como o trabalho de resistência da Brava Cia) permite(m) que existam espaços teatrais como este na periferia. Mas o trabalho de "formação de público" é sempre um desafio. O tédio e desinteresse do tal senhor reafirma o que está em cena, a impotência de todo um movimento politizado de teatro de grupo diante das ferramentas de democratização de acesso a cultura pelas quais lutam.

QUEM NÃO SABE MAIS QUEM É, O QUE É E ONDE ESTÁ PRECISA SE MEXER
Site da Cia São Jorge: http://www.ciasaojorge.com.br/quem.html

sábado, 18 de dezembro de 2010

Entre(intensões) e contenções: pequena mostra de dança contemporanea




A dança contemporânea não tem ainda resposta fechada para explicar quem “ela” realmente é, exatamente por estar acontecendo no hoje, no agora. Podemos identificar características que compõem obras de dança contemporânea como estrutura não linear, trabalhos não narrativos, multiplicidade de significados, discursos, temáticas, processos e produtos, invenção como reestruturação, referência ao passado, presença da ironia e da paródia, mudanças na configuração do tempo e do espaço, velocidade de criação e informação, uso da tecnologia, descontinuidade, fragmentação e multiplicação de imagens, rejeição a narrativa única, liberdade de criação, nova estrutura de pensamento, sentimento e comportamento artístico e social, entre outras.
Marcela Benvegnu

Toda essa pluralidade que a dança contemporânea levanta um desafio para um crítico charlatão como eu: Acessibilidade da dança contemporânea.Já que esta se constrói a partir de procedimentos plurais, muitas vezes esses procedimentos (como foi mencionado Marcela Benvegnu) muitas vezes não se conectam. Muitas vezes é organizada não para me dar a sensação tranqüilizadora de entendimento, mas sim, são articuladas como camadas que me causa uma experiência sensível por si só, mas também está construída a serviço de um tema.

Escolhi o segundo solo "Entre contenções" por razões afetivas:

O solo tem uma estranheza que é muito interessante. O espaço totalmente vazio, um desenho de luz que cria uma espécie de desvelamento revelando aos poucos as nuance, e as possibilidades que uma partitura de ação simples pode chegar na repetição até a exaustão.

O solo tem um movimento cíclico, uma bela canção que é repetida em volume progressivamente mais auto. Outra coisa que me agrada muito no solo é que o movimento, os gestos não são cadentes e harmônicos, mas também não são mecânicos. Toda a gestualidade está num lugar entre ação física e dança, e várias vezes é desconecto da musica o que potencializa a estranheza dos movimentos.

O que não é uma coisa incomum na dança contemporânea, né?

Pequena mostra de solos: http://www.salacrisantempo.com.br/home/

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Vozes Dissonantes


1 – A Voz oficial:

O espetáculo aborda expressões de filósofos, estetas, políticos, poetas, de figuras como Padre Antônio Vieira se manifestando contra a escravatura, passando por análise do papel de Tiradentes, manifestações de José Bonifácio, idéias de Milton Santos e outros que nos inspiram com sua coragem autoral a criação de novos rumos para uma sociedade ainda tão jovem e plena de futuro. Espetáculo otimista porque acredita na ação, e reflexivo porque vasculha nossos momentos libertários e as vozes que os promulgaram, sempre com vistas em proporcionar fortalecimento de atitudes responsáveis e de transformação.

2- A voz da critica oficial:

A expressão corporal de D.S. é impressionante, cada vez mais impressionante, de tal modo ela se movimenta em “acrobacias” e expressões faciais, chamando a atenção de forma irônica/brincalhona para todos os períodos de nossa formação histórica, lembrando Gregório, Vieira, Castro Alves, o índio, o negro, chegando aos dias atuais. Diga-se que o espetáculo começa com uma leitura de João Cabral.

Em prodigiosos exercícios de contração/descontração, expressão facial, uso das mãos que impressionam mais que um Marcel Marceau, apontando o caminho que pode conduzir ao desespero do não ser pela impossibilidade de entregar-se àquilo que se poderia ser: o dia-a-dia corrido, sem espaço para o diálogo, o amor, a realização pessoal. (realise oficial)

Algumas (vozes) crítica dissonante:

… e Denise Stoklos e o seu corpo. As arquiteturas em movimento. As partituras físicas. A respiração quântica. O gesto elipsoidal antuniano. Seu figurino pretinho básico. O cenário basiquíssimo, preto também, lógico. Sapatinho preto com saltinho. Denise Stoklos e as citações lugar-comum. O xaxado de trilha na parte que cita os Sertões. A luz em foco nela, na cela da prisão de Frei Betto e a mímica das grades. As vociferações contra o capitalismo. O bom mocismo esquerdista. Dom Hélder, Caio Prado, Milton Santos, Gilberto Freyre e, tipo, uma expressão no ar de: “galera eu li, tá?”

A temporada da Denise Stoklos no espaço cênico Ademar Guerra é marcada por alguns problemas de produção, que começa pelo fato do espetáculo não ter programa até a disposição da platéia que parece não em ter que ficar exprimida nas arquibancadas, nem em não ter uma visão privilegiada sentando nas arquibancadas laterais ou tendo uma pilastra bem no meio de uma das arquibancadas.
E a relação com o publico é algo bastante curiosa: O publico é (geralmente) muito carinhoso com a Denise Stoklos, estando sempre disponível para rir de uma expressão facial, ou de uma piada, ou dizer como ela é genial por conseguir fazer de um punhado de citações algo divertido. Teve uma hora que eu pensei: Seria muito mais divertido ir pra aula se meus prof usassem recursos da mímica e do teatro essencial pra apresentar e expor o pensando de um filosofo X . E o rapaz que sentou ao meu lado, que vibrava com cada nova citação, tentava adivinhar quem era o autor e quando acertava vibrava. Ou a mulher atras de mim que achava tudo genial!! Ou a estudante que sentou no chão e cochichava com sua amiga sobre a precisão técnica das ações, a genialidade com que a Denise Stoklos manipula a palavra criando texturas. Ou a primeira cena do espetaculo que é super cansativa ou a visão teatralzinha da ditadura militar, ou a ironia que ela faz com o Ex presidente Fernando henrique Cardoso e a sua famosa frase: "esqueçam o que eu disse"

Ei, alguém precisa dizer a ela que as coisas mudaram, tipo: o cara que tá com a faixa agora só não repetiu “esqueçam o que eu escrevi” porque ele nunca escreveu nada, mas bem que poderia dizer: “esqueçam quem eu fui” .As novidades, Denise, não param por aí. Desculpa, mas eu tenho mais recados do século XXI, já que você insiste em ficar no século passado. Sua peça no máximo vai até Lamarca, né? Aí é fácil brincar de polícia e ladrão, o ladrão usava farda. Quero ver agora, que emboloaram o jogo e trocaram o figurino dos dois lados. ( revista Bacante)

Critica oficial diz:

Denise acredita nisto, que pela arte se pode chegar a uma compreensão dos nossos conflitos, sem atribuir a “forças ocultas” nossa impossibilidade humana de viver em plenitude.Nosso fracasso é a vitória da verdade sobre a não-verdade, do amor sobre a cólera, da união sobre a fragmentação. Sua arte Poe o Brasil lado a lado com outros países, com a vantagem de apontar para a esperança, que renasce em cada um de nós, depois de revê-la. Por Marly de Oliveira - Junho de 2000

E pra terminar, a Denise começou a peça com um “Parabéns pro Brasil, nesse um de abril” e terminou com um “Parabéns pra você [dirigindo-se à platéia ou puxando as palmas pra ela mesma] parabéns pra você! Pra você!”. Tudo bem redondinho, que nem uma chave de ouro de um soneto decassílabo perfeito parnasiano.
(Revista bacante)

Mas uma coisa é fato: dissonante ou assonante (?) difícil não partilhar de uma espécie de comunhão com a Denise stoklos.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mary Stuart

Teatro essencial é aquele em que o ator é o autor e diretor e coreografo de si mesmo. Seu instrumento é o corpo. Com o corpo ele desenha o espaço com sua voz ele mostra o afeto do personagem e com o seu afeto, sua memória e sua intuição ele constrói a dramaturgia, ou seja, ele une a voz e o pensamento. Seus temas serão sempre da natureza humana, universais inadiáveis, daí, político. A intenção é que o publico saia do teatro revigorado em suas lutas por liberdade e amor afinal é para isso que estamos aqui. O performer essencial será sempre político não importa a ele nada que na finalidade não signifique: possibilidade de convite ao questionamento, reflexão, ação e transformação. (Denise Stoklos)





Mary Stuart, Conta de forma não linear os últimos dias da rainha Mary Stuart, que ficou presa por 40 anos e foi condenada à morte por sua prima Elizabeth.
A estrutura da peça a cria ponte com a história recente do Brasil explicitando o tema que provocou a montagem: Como o poder está presente e opera na vida do individuo.

Com uma precisão necessária para que possa acontecer e que me chamou muito atenção, a palavra o gesto a cadeira (que é o único objeto de cena) mais os recursos de luz e som são precisamente manipulados privilegiando o jogo e o envolvimento com o espectador. Outra coisa que é interessante na montagem é uso da metalinguagem que fortalece o jogo com o espectador.

Aliás, a reação que o espetáculo causa no espectador é algo que deve ser lembrado pq fazia tempo que não via o publico tão envolvido no espetáculo a ponto de reagir a determinadas cenas com aplausos quase catárticos.

Serviço:
Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 20h - Ingressos: R$20,00 (retirada de ingressos: duas horas antes de cada sessão) - preço popular (retirada de apenas um ingresso por pessoa): todos os dias para 20% da lotação da sala (R$ 2,55) mediante a apresentação da Carteira de Baixa Renda e RG, conforme lei nº 11.357/93 - Espaço Cênico Ademar Guerra (200 lugares)

domingo, 28 de novembro de 2010

O lugar de onde se vê Roberto Zucco


Teatro é uma palavra grega que significa: o lugar de onde se vê. Partindo dessa primeira afirmação etimológica início essa critica de Roberto Zucco levantando uma questão: O quanto o lugar onde eu escolho pra apresentar a minha peça influencia e interfere nas minhas escolhas estéticas?

O Satyros é bastante lembrando por sua ocupação e revitalização da praça rosoovelt e o coletivo de galochas é um coletivo formado por estudantes de artes Cênicas da USP.

Como esses dois lugares e experiências contaminam a cena?

Na montagem do Satyros a ocupação da sala de espetáculo foi construída de modo que houvesse cenas em vários lugares. Já na montagem da Cia de galochas as cenas saem do teatro e ocupa a praça do relógio em ambas as montagens têm uma coisa de trajetória que o público percorre. No Satyros o publico sentado numa arquibancada que é empurrada por atores e no coletivo de galochas você percorre um trajeto. Outro ponto comum nas duas montagens é um trabalho de ator que tá apontado, mas se dispersa no meio do espetáculo.

O coletivo de galocha radicaliza justamente no ponto em que o Satyros é convencional: na contaminação do texto pelo espaço, criando metáforas, símbolos, signos que vão do contemporâneo convencional (uso de vídeo, projeções, varias referencias estáticas na interpretação e de conceitos, nomes, palavras que são confusos e alvo de debates infinitos) E discutindo poeticamente questões que são inadiáveis no fazer teatral de ambos os coletivos fazendo assim com que o fazer teatral seja mais do que discutir sintomas de um momento histórico e passe a ser um dialogo, uma afronta ao momento este momento histórico.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dizer e não pedir segredo


O espetáculo dizer e não pedir segredo da recém nascida Cia kunyn está em sintonia com a teatralidade paulistana, um processo colaborativo, uma dramaturgia que se constrói a partir de um tema que provoca um estudo que provoca cenas até chegar o momento em que a direção organiza esse material levantado pelos atores. Outra característica dessa teatralidade da qual nasce o Grupo Kunyn (e a peça) é a idéia de ator-jogador. Ator narrador. O interessante é que esse registro de interpretação evoca narrativa não pelo sentimentalismo, mas pelo jogo e pelas relações entre público e cena potencializando a força poética (e por que não dizer dramática!) e tornando pessoal e sincero o discurso.Tem também a idéia do espaço (a casa) não como cenário, mas como lugar reforçando o primeiro conceito que provocou o encontro e que permeou toda a construção do espetáculo.
Na encenação a escolha pela casa de um dos atores da Cia pontua a discussão sobre a relação público e privado, a relação com o espectador que acontece em vários níveis e contatos. Você é o tempo todo convidado a estar na cena, convidado a trocar experiências, de forma sutil. Aliás a sutileza é outro ponto marcante da encenação.
O projeto da Cia Kunyn  apesar de usar e abusar de procedimentos e até clichês do tal teatro colaborativo tem sua eficiência na    força    e na sinceridade de seu discurso .

ONDE: R. Bela Cintra, 619, apto. 72. QUANDO: 6ª e sáb., 21h. QUANTO: Grátis – reservar antes pelo tel. 8564-4248. A peça também é encenada para grupos fechados, em apartamentos próprios, por R$ 15 por pessoa. Até 4/12.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

PONTO FINAL DA ÚLTIMA CENA NA CENA PERIFÉRICA


Comentário do espetáculo PONTO FINAL DA ÚLTIMA CENA, coreografia da Cia. de Dança Borelli que trata do mal de Alzheimer

  Um casal sentado como numa pose de fotografia antiga de família. Aliás, o figurino e a música sugerem que aqueles são personagens da década de 40,50... Sei lá. Qualquer época mais romântica. Ele segura um vaso com um cacto e um balão e ela usa um chapéu vermelho. A mulher inicia uma viagem pela memória. As lembranças ou o próprio ato de lembrar é doloroso, difícil. Ele não se manifesta, pouco se move, mal parece ter ciência da presença da companheira - não é capaz de acessar o passado. O rompimento com a história pessoal traz a morte.

OBS: Antes assisti parte da apresentação de um grupo da região, o Saída de Emergência. Cujo elenco é juvenil, e as coreografias se resumem à exibição de técnica vazia e a uma dramaturgia inconsistente. O discurso colocado em cena não pertence aos bailarinos. Aliás, esse é um problema comum a muitos grupos  amadores (de teatro e de dança) né. Quando os intérpretes ainda estão buscando um domínio do instrumental técnico e não se apropriaram do processo de criação.
  Ahh! O espaço onde assisti essas apresentações se trata da Fábrica de criatividade ou Ninho Sansacroma e fica no Capão Redondo. É um daqueles pólos culturais periféricos que lutam pela formação de público. E esse é um evento intitulado SINERGIA EM DANÇA, segue a programação.

Dia 20 – Sábado
Dia Especial em Comemoração ao Dia da Consciência Negra
16h30 – Debate: Corpo Negro, Imagem e Memória
Convidados da Mesa:
Allan da Rosa – Poeta, Arte Educador, Capoerista e Criador das Edições Toró
Euller Alves – Dançarino, músico, Diretor de Cultura de Embu das Artes e Coordenador do Instituto Umoja.
Gal Martins – Dançarina, Atriz, Arte Educadora e Criadora e Diretora Artística da Cia Sansacroma
18h00 – Roda de Percussão e Danças Afro Brasileiras com Umoja
19h30 –Cia Sansacroma
Espetáculo: Solano em Rascunhos

21h00 – Cia de Diadema
Espetáculo: Crendices… Quem disse?
Dia 21 – Domingo
16h00 – Jam Session de Dança – A proposta é reunir todos os artistas que estiveram envolvidos durante a semana – Orientação: Adriana Coldebella
18h00 – Apresentação especial: Rascunhos Cia de Dança
18h15 – Debate: A importância da prática da Dança na Educação e Lançamento do Livro: Linguagem da Dança: Arte e Ensino de Isabel Marques.
Gal Martins 
Profª Ms. Rose Maria de Souza – Professora Universitária, Bailarina, Dança Educadora, Coordenadora do Projeto Dançando a Vida
Isabel Marques – Formada em Pedagogia pela USP, fez Mestrado em Dança no Laban Centre for Movement and Dance (Londres) e Doutorado na Faculdade de Educação da USP. É diretora da Caleidos Cia de Dança
19h30 – Cia Corpos Nômades
Espetáculo: Cena Corpos Nômades
20h30 – Cia Sansacroma
Espetáculo: Angu de Pagu
O Espaço Ninho Sansacroma esta situado à Rua Dr. Luis da Fonseca Galvão, 248  Parque Maria Helena, próximo ao metrô Terminal Capão Redondo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Este Lado Para Cima – Isso Não é um Espetáculo.



Isso não é uma critica:

Dialogando com o sub-titulo do espetaculo da brava decidi que essa critica não iria ser uma critica. Mas uma tentativa de organizar as minhas impressões e sensações vivenciadas nos 80 minutos de espetáculo

Este Lado Para Cima – Isso Não é um Espetáculo. A nova montagem da Brava Companhia apresentada na mostra de teatro do Engenho nos dias 13 e 14 de novembro de 2010.
Este Lado Para Cima – Isso Não é um Espetáculo:
O poder do mercado de consumo, o controle da vida pela mercadoria, as contradições nas relações de trabalho e o uso das estruturas autoritárias como ferramentas de alienação são trazidos à tona na peça.




Tudo está em movimento
É o movimento que gera ação e ação é vida!
Drama é uma palavra grega que significa ação
Tudo que é vivo produz drama!!
E tudo que é vivo necessariamente é contraditório
E tudo que é vivo tem história
Pra saber a história das coisas basta você procurar, investigar, descobrir
O movimento da história é ciclico
Voltando...
Impulso gera movimento que gera ação e ação é vida!
E a história tá ai pra dar sentido a esse movimento
Atribuir sentido as coisas é perigoso. O perigo é que a busca pelo sentido
Naturalize as coisas, reduzindo a contradição, o movimento e o impulso em uma sentença lingüística.
Um certo pensamento é vigente no ocidente: racional, causal, lógico ...
que age sobre nosso corpo e sobre nossa vida reduzindo as contradições, e os movimentos que geram ação e geram vida, naturalizando as coisas.
É preciso desvalorizar um pouco o que é dito
Demorar nas sensações
Valorizar os incômodos
Sobretudo aqueles que geram ação!!



Deixo pra vocês o gonzaguinha cantando uma musica que tenho a impressão dialogar com o espetáculo.



sábado, 13 de novembro de 2010

o contemporâneo não exige muito


   Quinta-feira à noite na famigerada Praça Roosevelt. O Satyros I praticamente lotado para a apresentação do espetáculo mais recente do grupo (que recebeu ótimas críticas): Roberto Zucco.
   A encenação é super contemporânea e traz o texto de um autor francês sobre um assassino italiano que matou pai e mãe, tudo num universo bem marginal - escolha coerente com o histórico do Satyros. Existe um tom expressionista, a inocência é uma impossibilidade, e o mal parece estar atrelado ao humano. O vazio e a necessidade/impossibilidade de dar sentido a existência parecem motivar todas as ações: os crimes de Zucco, a excitação do coro patético de transeuntes no parque, o desejo da Madame que flerta e tem o filho morto, a moça que se agarra à virgindade da irmã mais nova como tentativa de redenção... No entanto, a abordagem soa em muitos momentos superficial.
   Existe a proposta de uma relação mais estreita com o público*, que é acomodado em duas arquibancadas  que estão em frequente movimento entre as cenas. Se a intenção é atingir a sensibilidade do público (o organismo, o sistema nervoso, como tão bem descreveu e sonhou Artaud), eles deveriam se servir de todos os meios... Não só dessa proximidade, mobilidade, do uso do vídeo, da utilização de todo o espaço. Falta um trabalho mais sério de ator né. Mas se a intenção é reafirmar o grupo no lugar comum do contemporâneo, eles conseguem.

* (que o próprio espaço sugere e que foi investigada na última peça deles com a idéia de 'teatro expandido')

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Roberto Zucco








Personagens:
Constantino: Crítico de teatro
Tom: Jovem ator em formação que trabalha como garçom pra pagar seus estudos.
Ação: O encontro entre o jovem ator e o critico acontece no bar onde Tom trabalha após a apresentação de Roberto Zucco.



1º Constantino bebe um café enquanto lê em seu ipod os comentários feitos no twitter sobre o espetáculo:


Premissa filosófica para uma possível critica de @RobertoZucco:
1º O ceticismo Poe em duvida todas as crenças.Os céticos não tem crença alguma inclusive sobre o mundo moral. about 1 hour ago via web
2º É possível conhecer a realidade na sua totalidade?
about 1 hour ago via web
3º As redes sociais como outra possibilidade de divulgação, debate e outros encontros tanto com o grupo quanto com o espetaculo
41 minutes ago via web
Premissas Estéticas p/ 1 possível críticas de @RobertoZucco about 1 hour ago via web
1º Não é possível representar o real em sua totalidade, a realidade só pode ser apreendida em camadas, fragmentos...
about 1 hour ago via web
2º A forma do drama (aristotélico) não dá conta de representar todas as contradições, nuances, e tonalidades do real...
about 1 hour ago via web
Nem o real nem o individuo
about 1 hour ago via web
2. Qual a diferença entre condição humana e natureza humana? (interferência nas premissas filosóficas...) 30 minutes ago via web
Tipo, a maldade é parte da condição humana ou da natureza humana? Ehm Rousseau?
24 minutes ago via web

Constantino:

O espetaculo aponta para a uma fase madura do Satyros é comum ler criticas comentado sobre a inovação e a radicalidade de roberto Zucco, mas não se engane.. Não há nada de novo em Roberto Zucco.
Tom:
Não?

Constantino:
Talvez essa impressão seja causada porque com roberto zucco os satyros se conectou de vez ao seu tempo ( e a uma teatralidade que talvez podemos chamar "oficial" ou seja um teatro que estará nos livros de hist do teatro daqui a uns anos)Tempo em que o uso do audiovisual, das redes sociais , a mistura de linguagens no registro da interpretação caracteriza a teatralidade desse inicio de sec. Saindo de uma margilidade que sempre delimitou o trabalho do grupo.
Tom:
entendi .

Constantino:
A conta,por favor

Tom:
Já?
constantino:
Ta tarde.
Tom vai buscar a conta e volta com o programa do espetáculo
Constantino pega o programa olha o serviço da peça. dobra o programa guarda no bolso de seu casaco e vai embora. Tom segue-o com o olhar. Pega a chicara e tomado por uma curiosidade vai até a porta do bar ... observa Constantino entrar num taxi e ir embora. Entra no bar e lê o Cartas que diz:
Serviço:
  • Categoria: Peças
  • Gênero: Drama
  • Preço: de R$ 30,00 a R$ 40,00
  • Duração: 80 minutos
  • Direção: Rodolfo García Vázquez
  • Elenco: Robson Catalunha, Cléo De Páris, José Alessandro Sampaio e outros
  • Censura: 14 anos